Precisamos falar sobre o Ed Sheeran

sim, precisamos

O ano é 2011. Eu sou uma adolescente usuária do tumblr e conheço as músicas “The A Team” e “Lego House” por meio de gifs dos clipes. Procuro saber quem está por trás das canções e descubro Ed Sheeran. Escuto seu CD de estreia “+” e gosto de todas as músicas, menos a pavorosa “You Need Me, I Don’t Need You”.

Quando revisito esse álbum com meus olhos (e ouvidos) atuais, sinto que no geral é legal, gostosinho de ouvir. Algumas faixas envelheceram bem e outras tornaram-se chatas. A detestável tentativa de rap de “You Need Me, I Don’t Need You” continua intragável, o single “The A Team” ainda é bonito, “Give Me Love” ainda emociona. Se fosse para dar uma nota? Um 6 estaria de bom tamanho.

Assim como eu, Ed Sheeran também cresceu e evoluiu. Ou deveria ter sido assim. Seu primeiro trabalho ainda é o mais liricamente interessante, emocionante e que efetivamente traz algo de novo. O tempo mostrou que não são só os símbolos matemáticos que se repetem nos títulos de seus trabalhos. As fórmulas para o sucesso também.

Certa vez li uma entrevista em que o cantor fala que queria fazer uma nova e melhor “Thinking Out Loud” e foi assim que nasceu a insossa “Perfect”. Isso fez com que eu me questionasse o que leva um músico a compor e produzir. Arte ou os tão falados charts? “Thinking Out Loud” liderou os rankings por semanas, ganhou prêmios e trouxe reconhecimento. Mas isso é tudo? Obviamente, não desejo o ostracismo para nenhum artista, mas fazer músicas que têm como único objetivo “hitar” seguindo fórmulas engessadas não me parece muito artístico.

O mundo pop é cheio de marketing e produtores que desejam debutar alto nos charts. Essas posições são importantes para demonstrar o sucesso comercial de uma música (vendas e streaming), mas isso não pode ser tudo. Se fosse, ninguém nunca teria a coragem de inovar ou se arriscar.

Ed Sheeran encontrou um espaço seguro e óbvio para suas canções. Foi de um compositor com potencial para o medíocre responsável pela péssima “Cross Me (feat. Chance The Rapper & PnB Rock)” do seu último álbum “№6 Collaborations Project”. Esse que, aliás, é uma bagunça impossível de engolir.

Em 2021, o cantor anunciou seu novo single “Bad Habits”, com uma estética suspeitosamente parecida com a de The Weeknd na era “After Hours”. Fui conferir como era. E para minha absoluta zero surpresa não é bom. Deve fazer sucesso? Sim, afinal Sheeran tem uma fanbase sólida. Porém, parece que o ruivo tentou reciclar um pouco seu trabalho e esqueceu que estamos em 2021. “Bad Habits” seria menos ruim se tivesse sido lançada em 2017. Parece uma parceria entre o Coldplay e o Chainsmokers que foi descartada.

Ed Sheeran tem talento e tem fãs. Mas foi consumido pela indústria de maneira assustadora. Tornou-se uma máquina de (tentativa) de hits, músicas de casamento e parcerias. O dinheiro deve ser bom, mas a mediocridade dos trabalhos não é. São músicas repetidas, sem sal, sem ânimo. Claro que se você quiser você curte, até o Grammy curte né…

Nunca mais iremos nos livrar de estarmos em um casamento, uma festa de quinze anos e ouvirmos uma música do Ed Sheeran. O nicho poderoso das baladas românticas é fácil de se explorar, não exige reinvenção e basta seguir a fórmula.

Agora se ele fosse uma mulher, a história seria diferente e nós sabemos disso.

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Jornalista que ama música, sentimentos e cultura pop.

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Ana Clara Braga

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