Assisti Casa Kalimann para você não precisar ver

Foto: Divulgação/Globo

Sou a favor de programas de entretenimento puro. Acho justo vermos coisas que não nos façam pensar por alguns minutos. Casa Kalimann, a nova empreitada do Globoplay, tenta seguir essa lógica. Tenta. Afinal, o que fez Rafa Kalimann para merecer um programa só seu?

Ao longo dos 27 minutos de Casa Kalimann senti um misto de emoções. O cenário beirando o infantil é um ataque aos olhos. Seria uma tentativa de Xou da Xuxa misturado com o Programa da Maísa? O conceito doméstico para mais um programa da emissora quando o já esquisito É de Casa existe também não me agrada. A premissa de entrar na casa das pessoas é importante para fazer TV de qualidade, mas não sei o telespectador está interessado em entrar em uma casa cenográfica vomitada de cores e objetos aleatórios.

Hate? Não! Feedback agressivo!

Rafa Kalimann tenta, mas falta carisma. Dentro da casa mais vigiada do Brasil, a ex-bbb já não estava no top 5 de personagens mais carismáticos da edição. Certa vez esse ano os adms da conta da Thaís Braz, ex big 21, afirmaram que o talento da moça era ser fotogênica. Acredito que Rafa está nessa leva. É muito boa na comunicação visual, é uma influencer nata. Produz fotos e publicidades belíssimas, (tirando aqueles stories com a música da Katy Perry que me assombram até hoje) mas apresentar um programa realmente não é para todo mundo. E está tudo bem!

Casa Kaliamann é um misto de entrevista com perguntas rasas e desafios “malucos cujo objetivo é fazer você rir!”. Eu ri? Sim. Mas provavelmente em momentos em que não era a intenção do programa fazer rir.

O humorista Rafael Portugal é a primeira vítima, quer dizer, convidado do programa. Se Portugal é ou não divertido, deixo com vocês, mas uma coisa é certa, aqui ele teve dificuldades em fazer humor. Não o culpo. O quadro “Universo Paralelo” (uma imitação barata de uma esquete de Lady Night) é desconfortável. Cada vez que a apresentadora apertava o botão, Rafael tinha que mudar de personalidade, mas não era totalmente improviso. “Agora você é um modelo internacional” ordenou Kalimann para um visivelmente angustiado Portugal que tentava tirar leite de pedra.

Bem vindos ao maior clube de stand-up do Brasil, a casa kalimann!

O melhor momento do programa é quando a apresentadora avisa que eles montaram uma sala especialmente para o convidado. A cortina cai e é um local feito inteiramente de doces. Infantil e propenso a cáries como uma boa parte do cenário! Então, Kalimman pergunta “Você prefere doce ou salgado?” e Portugal responde em meio a quantidade absurda de doçuras “salgado”. O clima é deliciosamente esquisito e os próximos segundos em que ambos tentam concertar a situação é melhor ainda.

O timing estava off, o carisma estava off e a química entre convidado e a apresentadora estava off. O receio em errar e a prisão aos cartões norteadores também são uma quebra de clima decisivo. Ler a piada segundos antes de contá-la estraga o que já não estava bom.

A cada minuto eu pensava, isso pode ficar mais esquisito? Sim! Na Casa Kalimann tudo é possível! Rola teste de personalidade, mudanças constantes de cenário e o incrível quadro em que os dois Rafas bebem líquidos de uma bicicleta de acrílico! Tudo em nome da arte do entretenimento.

Amiga, meu entretenimento.

Uma coisa preciso admitir, Rafa Kalimann tem coragem. Não sei por quantas pessoas passou o escopo e a redação desse programa, mas afirmo com determinação que não foram pessoas o suficiente. Boninho é um realizador visionário, mas aqui estava usando um tapa-olho.

O questionamento continua: o que fez Rafa Kalimann para merecer um programa próprio? Não quero desmerecer a segunda colocada do BBB 20. Ela tem potencial para muitas coisas, mas talvez seu local seja de entrevistada e não de entrevistadora.

Pelo lado bom, talvez tenhamos nos livrado de Rafa Kalimann estrelando o remake de Pantanal.

Jornalista que ama música, sentimentos e cultura pop.

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